De acordo com o Padre Eugene Hilman, em sua obra "Polygamy Reconsidered", p. 140, até mesmo com relação ao período neo testamentário frisa que: "Em parte alguma do Novo Testamento há uma orientação expressa de que o casamento deve ser monogâmico ou qualquer orientação que proíba a poligamia". Além disso, Jesus Cristo não falou contra a poligamia, embora ela fosse praticada pelos judeus de sua época. O Padre Hillman chama a atenção para o fato de que a Igreja, em seus primórdios, proibiu a poligamia, a fim de adequar-se à cultura greco-romana (que prescrevia somente uma esposa legal, enquanto que tolerava o concubinato e a prostituição). Ele inclusive citou santo Agostinho que escreveu: "Agora, em nosso tempo, e de acordo com o costume romano, não é mais permitido tomar uma outra esposa", dando nos provas de se tratar de um genocídio cultural pela qual a cultura greco-romana sobrepujou a cultura judaico-cristã.
Portanto, vê-se que a poligamia nunca foi repelida biblicamente bem como a monogamia nunca foi uma autêntica injunção cristã a ser alçada como doutrina.
Nos trechos acima, tanto para Santo Agostinho quanto para o Padre Hillman a poligamia foi vetada pela igreja católica, não com fundamento na Bíblia, mas para se ajustar à cultura Greco-romana a quem queria agradar em troca dos benefícios de privilégios estatais. Ou seja, preferiu a glória do homem em detrimento da glória do criador cuja defesa foi explícita em Números 12, castigando Miriã por sua oposição.
Cumpre frisar que a cultura Greco-romana tolerava tanto a prostituição financeira quanto a cultual em cujo cultos aos deuses, era comum as orgias como parte da liturgia sacrificial. Ou seja, não se trata, nem de longe, de uma cultura sacra a ser alçada como padrão de moralidade à nortear a doutrina sobre a constituição da família bíblica.
Vê se, portanto que a poligamia, nos moldes bíblicos, foi combatida por um genocídio cultural e não por se tratar de uma extração de mandamentos bíblicos.
Os países ditos "cristãos" fazem um culto à monogamia, mas, na verdade, eles praticam a poligamia. Ninguém ignora a existência das amantes na sociedade ocidental, das "uniões estáveis" em que um dos conviventes estão "legalmente" casado à outra pessoa. sobre essa questão, o Islã é fundamentalmente honesto já que permite a poligamia e proíbe vigorosamente todas as associações clandestinas, a fim de salvaguardar a probidade moral da comunidade.
Na comunidade brasileira o "concubinato" passou a ter tanto proteção constitucional quanto legal vide § 3° do art. 226 da Constituição Federal e Lei nº 9.278/96, onde estabelece direitos e proteção para tais amantes que se dispõem ao abandono do lar e tornam pública, notória e estável a relação que aos olhos da monogamia seria "adultério". Isso, é, evidentemente, uma poligamia não declarada, espúria e hipócrita.
No entanto
Vê-se que a monogamia não tem extração moral. Cuida, na verdade, de um arranjo pelo qual o Estado/Igreja premiam a infidelidade e punem a honestidade. Este é um dos paradoxos fantásticos de nosso mundo "civilizado".
Por fim, como bem pontuou o Reverendo David Gitari, da Igreja Anglicana: "a poligamia, como idealmente praticada, é mais cristã do que o divórcio/separação e o 'novo' casamento".
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